Denis Russo Burgierman. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Uma História Simples -- e Errada: por 40 anos acreditamos que a questão da maconha era simples e criamos regras simples para lidar com ela. Deu muito errado. Não é assim que se lida com complexidade"
Maconha mata? Não mata, nunca. Faz mal, sim, para alguns; para uns poucos, ela é perigosíssima: pode aumentar o risco de surtos psicóticos e atrapalhar muito a vida. Mas, para outros, ela faz até bem. Para uns poucos, maconha é um remédio, fundamental para viver. E, para muita gente, quando usada de maneira responsável, maconha não faz nem mal nem bem. Quimicamente, ela se revelou muito mais complexa do que se imaginava -- é uma mistura complicadíssima de dezenas de diferentes substâncias, e cada uma delas age de maneira diferente em cada pessoa. Maconha não é inerentemente má -- ela é, como qualquer objeto complexo, um vasto conjunto de coisas boas e ruins.
"Maconha não vicia"? Mito!
Carol Castro. Superinteressante, edição especial "A Revolução da Maconha: o mundo começou a ver a planta de outro jeito. Entenda por quê.", 2014. Artigo "Mitologia Canábica: nem tudo que se diz por aí sobre os males da maconha para a saúde é verdade. Saiba o que diz a ciência sobre algumas das afirmações mais comuns - e falsas - sobre a erva". Cerca de 9% das pessoas que experimentam maconha acabam se tornando dependentes em algum momento da vida, segundo um estudo realizado em 2006. Essas pessoas não conseguem controlar sua vontade de fumar. O risco de dependência aumenta para 17% se o uso começa na adolescência. O estudo comparou a maconha com outras drogas e chegou ao resultado da Tabela 1. Interromper o uso causa síndrome de abstinência em pelo menos metade dos dependentes. Quando isso acontece, os sintomas mais comuns são: ansiedade; insônia; irritabilidade; distúrbios de apetite; e depressão (nada de tremedeiras ou convulsões). Eles surgem entre o segundo e sexto dia sem a droga e desaparecem até o fim da segunda semana. Fonte: James Anthony, The Epidemiology of Cannabis Dependence (2006)